quarta-feira, 20 de março de 2013

No fim dos tempos, "a ciência se multiplicará".? VEJA - Apocalipse ou redenção.



"Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará."

Daniel capítulo 12:4


VEJA - Apocalipse ou redenção- De: 
http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/2013/03/20/apocalipse-ou-redencao/


Denis Russo Burgierman

Na semana passada, o New York Times perguntou-se num artigo se estamos vivendo o fim dos tempos ou a aurora de uma nova era. Parece uma pergunta besta, mas faz sentido: nos dias de hoje temos mesmo que conviver com duas narrativas aparentemente opostas. Segundo uma delas, vivemos o apocalipse, o clima vai nos matar, as espécies estão todas se extinguindo, as cidades pararam, vamos todos nos afogar numa maçaroca de lixo, trânsito e SPAM. Já a outra história diz que nunca progredimos tão rápido, que um computador de mesa de hoje é mais potente que um supercomputador militar que ocupava uma sala em 1996, que os avanços da genética e da neurociência somados ao poder da colaboração e da conexão vão criar a época mais igualitária, democrática e produtiva da história da humanidade.
O texto do Times, do colunista Anand Giridharadas, era uma análise sobre o TED, a conferência californiana à qual também tive a alegria de assistir, duas semanas atrás. Realmente, no TED, a esquizofrenia da nossa era fica óbvia. Alguns palestrantes contam histórias de terror, que revelam que somos vítimas indefesas de hackers, políticos, corporações, devastação, câncer e burocracia. Um até disse que a internet vai pifar, parando o mundo. Mas aí os profetas da desgraça descem do palco e, em seu lugar, vêm outros afirmando que a generosidade tem o poder de salvar todas as indústrias, que o planeta está cheio de gênios de 13 anos resolvendo problemas cabeludos, que a pobreza está acabando. Houve até um palestrante – o mítico Steward Brand (abaixo), que nos anos 1960 criou a revista Whole Earth Catalogue, grande inspiração de Steve Jobs – dizendo que estamos a um passo de desextinguir espécies extintas.
Fico pensando que não é coincidência que essas duas retóricas – a do apocalipse e a do amanhecer de um novo tempo – estejam fazendo tanto sucesso no mesmo período histórico. Em grande parte isso se deve a uma dissonância entre possibilidade e realidade, que talvez nunca tenha sido tão grande na história. Em tempos de tantas inovações tecnológicas e tantas possibilidades espetaculares, é mesmo difícil ficar satisfeito com Renan Calheiros, José Maria Marin e a 23 de Maio na hora do rush.
Ao mesmo tempo, não é surpresa que um tempo de mudanças tão profundas provoque ao mesmo tempo euforia e pânico. Na real, a maioria de nós provavelmente sente essas duas coisas simultaneamente, quando pensa no futuro da democracia, do Brasil, das florestas, da internet, do trabalho, da economia.
Estamos no olho do furacão, no meio das transformações, sem nenhuma condição de dar um passinho para trás para entender o quadro geral. Meu palpite é que, daqui a uma década ou duas, o mundo vai ter mesmo mudado profundamente. Mas as mudanças não serão nem um apocalipse nem uma redenção. Será uma mistura dos dois.

Foto: TED Conference

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