segunda-feira, 14 de maio de 2012

Crise grega, é sinal do início do fim do mundo, ou do fim da União Européia, ou do fim do atual sistema capitalista financeiro e econômico?



Crise grega coloca em cheque a própria União Europeia, avalia macroeconomista

  Por Redação, com agências internacionais - de Atenas e Barcelona
Líder do partido Esquerda Democrática, Fotis Kouvelis afirmou nesta segunda-feira que a Grécia estava a caminho de repetir as eleições em junho, depois que a coligação de esquerda Syriza se recusou a apoiar um governo de ampla coalizão nesta rodada. “O Syriza se recusa a ser um alibi de esquerda para um governo que irá manter as políticas que o povo rejeitou no dia 6 de Maio”, afirmou o líder da coligação, Alexis Tsipras.
Kouvelis, no entanto, insiste que a presença Syriza em uma coalizão ampla seria vital, apesar de um governo com a conservadora Nova Democracia, o socialista Pasok e a Esquerda Democrática teria uma maioria confortável no Parlamento. Mas sem a coligação, um novo governo “seria excessivamente frágil e correria o risco de colapso no dia seguinte depois de formado”, afirmou.
Kouvelis também criticou a proposta do Syrizas para um governo de esquerda, dizendo que ele não teria conseguido usar o apoio oferecido pelo PASOK e a Esquerda Democrática e a “tolerância” da ND, acusando o partido de recorrer a truques de comunicação”.
Situação tensa
Para o macroeconomista britânico Edward Hugh, radicado em Barcelona, Espanha, em artigo publicado nesta segunda-feira em sua página, na internet, se a Grécia “for às eleições, o provável vencedor seria Alexis Tsipras, contra a ajuda internacional ao país e contra a Troika [grupo formado pelo Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial]“.
“Se o Syriza vencer e conseguir formar um gabinete de governo, a segunda etapa do empréstimo programado pela Troika será imediatamente suspensa”, afirmou Hugh. Para o especialista em macro performance econômica e mobilidade humana, fertilidade e migração, “mesmo se o país não vá às eleições e, no último minuto, a Nova Democracia, o PASOK e a Esquerda Democrática conseguirem formar uma coalizão, é muito improvável que eles sejam capazes, no momento, de concordar com as medidas de austeridade exigidas pela Troika até Junho e, nesse caso, o dinheiro também não seria repassado aos gregos”.
Caso esta situação se materialize, conforme a imprensa internacional tem divulgado massivamente durante as últimas 72 horas, a Grécia poderá ser forçada a deixar a zona do euro. “Muitos acreditam que o país tenha como dispensar o dinheiro oferecido pela Troika e, ainda assim utilizar uma série de mecanismos à disposição do Banco Central grego para gerar seus próprios euros e, com isso, pagar pensões, salários dos servidores etc”. Nesse caso, ao BCE não restaria outra alternativa senão desligar a Grécia do sistema, o que mais se pareceria com o ato de guerra”.
“Dessa forma, não seria a Grécia se desligando do euro como padrão monetário. Seria a Grécia sendo expulsa, praticamente, da União Europeia. Uma série de consequências desagradáveis teriam lugar a partir daí, sendo a primeira uma onda de jovens gregos, desempregados e prontos para deixar o país”, disse Hugh. A jornalista do diário britânico The Guardian Julia Kollewe pintou um quadro obscuro desta situação:
“Uma massa de desempregados, formada por jovens e bem preparados trabalhadores, formariam uma espécie de êxodo da Grécia e, se dezenas de milhares de pessoas chegassem às fronteiras do país, estas teriam que ser fechadas, com patrulhas de soldados gregos nas estradas, portos e aeroportos para manter seus cidadãos dentro do país. Isso não é impossível”, avalia Kollewe.
Hugh, então, se espanta com a situação a que chegou a Europa, diante da possibilidade de ruir o principal fundamento da União Europeia, que seria o fim das fronteiras físicas e econômicas.
Os principais líderes gregos ainda não conseguiram chegar a um acordo e poderá haver novas eleições
“Aí, eu pergunto a mim mesmo: É essa a Europa sobre a qual falávamos, ou isso será algum tipo de pesadelo? Foram esses os altos ideais que nos moveram até chegar ao ponto de a Grécia trancar seus jovens, como nos velhos dias da União Soviética? É isso que a eleição de François Hollande como presidente da França significou?”, questiona Hugh. E ele mesmo responde: “Espero que não”.
Extraído de: http://correiodobrasil.com.br/crise-grega-coloca-em-cheque-a-propria-uniao-europeia-avalia-macroeconomista/451626/

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