sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Luta por água ? Já ouvi de parentes a frase: "No futuro terá guerra por água!" Estamos caminhando pra isso !?!- Caminhões-pipa recebem escolta da Guarda Municipal em Itu

Três a quatro viaturas ficam à disposição para escoltar comboio.
Carros foram enviados para transportar água até o Portal do Éden.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí

Carros foram enviados para transportar água até o Portal do Éden (Foto: Fernando Bellon/TV TEM)Carros foram enviados para transportar água até o Portal do Éden (Foto: Fernando Bellon/TV TEM)
A Guarda Civil Municipal está escoltando caminhões-pipa há cerca de duas semanas em Itu (SP). A situação ocorre por causa da estiagem e a falta d'água que afeta a cidade, em que moradores estão abordandos os veículos para pegar água. Muitos moradores alegam que estão sem água há 20 dias.
A GCM é avisada pela manhã quais os bairros que serão percorridos e acompanham o comboio. Três a quatro viaturas ficam à disposição para escoltar os caminhões em alguns bairros.
Na tarde desta quarta-feira (15), os guardas acompanharam a distribuição de dois carros no Portal do Éden. Conforme os guardas, a escolta ainda não teve problema, apenas alguns moradores que ficam alterados quando o caminhão chega ao bairro, mas sem roubo ou furto dos caminhões.
Falta d'água em Itu (Foto: Reprodução/TV TEM)Moradores se arriscam em fontes de água sem
garantia de qualidade  (Foto: Reprodução/TV TEM)
Estiagem
A estiagem em Itu (SP) tem feito os moradores enfrentarem um verdadeiro martírio em busca de água. Como o cronograma de racionamento não é cumprido e as solicitações de caminhão-pipa nem sempre são atendidas, segundo os moradores, poços, bicas, fontes e lagoas se tornaram pontos de peregrinação na cidade. Com um sol forte e uma temperatura em torno de 40ºC, o clima em Itu é bem parecido com lugares onde a escassez de água é mais frequente. Buscar água em bicas e córregos se tornou comum para moradores de vários pontos da cidade. No bairro Cidade Nova, uma das regiões mais castigadas com o racionamento, são três bicas. Canos onde moradores colocam garrafas e baldes para pegar água. Durante todo o dia, a cena se repete e há filas.
O problema é que ninguém sabe a qualidade da água. O porteiro Jorge da Silva está há quase duas semanas sem uma gota de água em casa. Todo dia, ele segue a mesma rotina, cedo e a tarde, vai até um lago que recebe água que vem de uma represa. Com a água que sai da tubulação, Jorge não sabe se é de boa procedência. "O que a gente sabe é que a água vem de uma lagoa, mas não sabemos se é boa. Se quiser tomar banho tem que fazer esse sacrifício. Senão, a gente fica sem tomar banho", diz.
Criança toma banho em bica em Itu (Foto: Reprodução/TV TEM)Criança toma banho em bica em Itu
(Foto: Reprodução/TV TEM)
Banho e transporte com mala
A água que escorre dia e noite também, usada por tantos moradores, também abastece a família do ajudante de caminhão Jorge Henrique da Silva, que está há quase 20 dias sem água. A situação é tão crítica que o banho do filho Caio, de 3 anos, tem sido na bica com frequência. "Tem que pegar água para lavar louça, lavar roupa. Inclusive tomar banho aqui."
A bica do meio do barranco até alguns meses atrás vivia esquecida, mas quando as torneiras começaram a ficar secas por muito tempo, o local virou o principal ponto do bairro. Osmoradores improvisam com carrinhos de feira e sacolas. Para conseguir levar toda a água que precisa, um eletricista levou uma mala. "A mala é a única coisa que eu tenho para transportar a quantidade de água que eu preciso. Eu faço de 10 a 12 viagens para as crianças tomarem banho, a mulher lavar a roupa porque faz dias que não cai uma gota d'água na torneira", afirma Severino Dias da Silva.
Morador levou uma mala para conseguir transportar a água (Foto: Reprodução/TV TEM)Morador levou uma mala para conseguir
transportar a água (Foto: Reprodução/TV TEM)
Já a moradora Maria Eunice da Silva do Nascimento pretende tomar uma atitude extrema. Sem saber o que fazer, já que a situação chegou ao limite, ela pretende se mudar de Itu. "Estou triste porque gosto de Itu, mas na situação que estamos, já coloquei a casa à venda. A água é sagrada, e como fazemos para sobreviver em um lugar sem água?", questiona a doceira.
Abaixo assinado
Os moradores se mobilizam para iniciar umabaixo-assinado pedindo a intervenção do governo do estado no município. A economista Isabela Souza é uma das moradoras que sofrem com a escassez e decidiu contribuir assinando o documento. Segundo ela, a petição pública surgiu como uma alternativa para o descontentamento da população em relação ao posicionamento da prefeitura. Alguns bairros estão sem abastecimento há mais de 20 dias. 
Apesar dos protestos e reclamações, a Concessionária Águas de Itu continua enviando a mesma informação de que os bairros em que ocorreram os protestos estão sendo abastecidos em dias alternados além do envio de caminhões pipa.
O prefeito de Itu, Antonio Tuíze, informou no dia 23 de setembro que não iria decretar estado de calamidade pública no município. Segundo o prefeito, o decreto de calamidade não foi pedido já que não está faltando água para manter os serviços essenciais, como hospitais e escolas.
Protestos em Rodovias
Na segunda-feira (13) moradores de Itu interditaram as rodovias SP-75 e SP-79 para protestar contra a falta d'água. De acordo com a Polícia Militar, mais de 250 pessoas participaram das manifestações. Os manifestantes queimaram pneus, galhos de árvore e jogaram entulho na pista impedindo o tráfego no local.
Segundo testemunhas, alguns moradores atiraram pedras contra a polícia. Alguns atos de vandalismo foram registrados durante o protesto, como lixeiras e contêineres queimados. Segundo a Polícia, ninguém foi preso. Esta é a segunda manifestação: no domingo (12), moradores protestaram na SP-79, onde atearam fogo em materiais e interditaram a rodovia.
Protesto em Itu interditou duas rodovias: a SP-79 e SP-75 (Foto: Ana Carolina Levorato / G1)Protesto em Itu interditou duas rodovias: a SP-79 e SP-75 (Foto: Ana Carolina Levorato / G1)
'Pontos críticos'
Depois de nove meses de racionamento em Itu, o Comitê de Gestão da Água, órgão recentemente criado na cidade, ligado à prefeitura, mapeou 17 pontos críticos onde a pressurização da rede de abastecimento de água não é suficiente para manter o rodízio. Na quinta-feira (9), caminhões-pipa foram encaminhados para bairros como, Parque Industrial, Jardim Rancho Grande, Jardim São Judas, Alto das Palmeiras e Bairro Brasil, parte mais alta da cidade. 
Reservatórios apontam 2% de água e racionamento é ampliado em Itu (Foto: Reprodução/TV TEM)Reservatórios chegaram a apontar 2% de água
em Itu (Foto: Reprodução/TV TEM)
situação em Itu é resultado da falta d'água que assola a cidade desde 5 de fevereiro deste ano, quando a concessionária Águas de Itu implantou o racionamento na cidade. No início, o rodízio era feito apenas nos bairros mais altos, onde a distribuição de água é mais difícil. Nos meses seguintes, o racionamento foi ampliado pelo menos mais três vezes e atualmente está em vigor na cidade toda.
O problema é que os moradores reclamam que o rodízio de água não é cumprido como anunciado pela empresa e muitos bairros estão sem água há dias. Há moradores que relatam que chegam a ficar 15 dias sem água. O abastecimento com caminhões-pipa também é alvo de reclamações. Até o atendimento ao consumidor gera queixas, já que muitas vezes o morador fica vários minutos no telefone e não consegue ser atendido.
De acordo com a prefeitura, cerca de 300 idosos e pessoas acamadas foram cadastradas como moradores com prioridade de abastecimento. O Comitê informa ainda que escolas, creches, unidades de saúde e outros prédios públicos são atendidos com caminhões-pipa no período noturno.
Entenda a crise
Apesar do Ministério Público já ter recomendado à prefeitura que reconheça o estado de emergência e calamidade pública, a prefeitura decidiu não acatar a medida. Em entrevista, o prefeito afirmou que o decreto não seria pedido já que não está faltando água para manter os serviços essenciais, como hospitais e escolas. O chefe do executivo afirmou também que foi protocolado um decreto para captação em 24 poços e reservatórios de uma indústria de bebidas do município.
No entanto, conforme o documento enviado em julho, o Ministério Público aponta que a precariedade no abastecimento de água para a população não decorre exclusivamente do período de estiagem, mas sim de anos de má gestão e falta de investimentos no aumento da armazenagem de recursos hídricos, além da construção de novas barragens, desassoreamento das já existentes e modernização dos sistemas de tratamento e distribuição.
Após o Ministério Público reforçar a importância de que as reclamações sobre a falta d'água na cidade sejam registradaso órgão já registrou mais de 1 mil ocorrências em menos de uma semana. Em um dia, 400 reclamações de moradores foram protocoladas e anexadas ao inquérito encaminhado ao Poder Judiciário. Na ação, o MP apresentou uma carta de recomendação ao prefeito para que tome previdências no sentido de tentar amenizar a situação dos reservatórios.
De acordo com a liminar, caso a água não chegue até o imóvel, a população deve reclamar na concessionária que terá que resolver o problema em 48 horas e a prefeitura será multada. Para o promotor, a intenção do órgão é esclarecer à população sobre os seus diretos. “Nós intensificamos a importância dos registros já que as pessoas não sabiam o que fazer e quem procurar. Temos outros pontos de atendimento, mas vários moradores chegam aqui e dizem que estão sem água a muito mais dias do que o tempo aceito pelo MP”, diz. O morador também deve fazer a denúncia no Ministério Público, localizado na Avenida Goiás, 194, no bairro Brasil.
Itu decreta racionamento e corta abastecimento de água após as 20h (Foto: Reprodução/TV TEM)Represas de Itu estão secas há meses (Foto: Reprodução/TV TEM)G1Via: Nibiru - O Segundo Sol via AnonymousBrasil

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